Movimento ecológico e sustentabilidade rural: um diálogo entre meio ambiente e cidadania

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O contexto deste artigo utiliza a criação da certificação participativa para garantia da produção orgânica como exemplo das ações do movimento ecológico brasileiro. O reconhecimento legal recente desta espécie de certificação, realizada pelos próprios agricultores, doravante denominada como sistemas participativos de garantia, permite questionar em que medida a sua institucionalização pode incentivar o debate democrático para a transição da produção agroalimentar. Falar de sustentabilidade nas relações agrárias brasileiras significa admitir que as questões sociais e ambientais se encontram intimamente relacionadas. A metodologia utilizada para o trabalho se valeu da pesquisa qualitativa e da observação participante para captar como estes atores entenderam o reconhecimento de suas práticas pela legislação. Como resultado observou-se que estas práticas, criadas no contexto de uma realidade complexa e desigual, representam práticas de conservação da natureza e, ao mesmo tempo, conquistas de cidadania. A agroecologia é vista por estes atores como uma forma de resgatar a reciprocidade entre homem e natureza, compatibilizando produção alimentar e o respeito aos ciclos ecossistêmicos. A forte desigualdade social presente nas relações que se travam no ambiente rural faz com que os pequenos agricultores encontrem nas ações realizadas pelo movimento agroecológico uma condição para o exercício dos seus direitos de cidadão. O reconhecimento dos sistemas participativos de garantia pela legislação é visto por estes atores como a prova do reconhecimento de sua cidadania. Em conclusão, os efeitos de sua institucionalização são de dupla face. Por um lado, os sistemas participativos de garantia podem ser vistos como prova da importância da participação popular na construção de estratégias de sustentabilidade. De outro lado, o aumento dos controles burocráticos pode levar à absorção de suas práticas pelo sistema dominante de produção. Por fim, o objetivo final do presente trabalho é suscitar a importância de se repensar o rural nos debates de sustentabilidade. E aqui se encontra a possibilidade de transição da produção agroalimentar para outra ruralidade sustentável, na qual o campo é entendido como um espaço híbrido de sujeitos em relação, um espaço de vida, de produção, de trabalho, de lazer, ligando meio ambiente, cidadania e a possibilidade de se construir um outro modelo de sociedade, mais justo socialmente e de maior qualidade ambiental.


Notas

Referência

ISAGUIRRE, Katya Regina. Movimento ecológico e sustentabilidade rural: um diálogo entre meio ambiente e cidadania. Interesse Público, Porto Alegre, v. 14, n. 71, p. 83-93, jan./fev. 2012. Disponível em: <http://dspace/xmlui/bitstream/item/3477/PDIexibepdf.pdf?sequence=1>. acesso em: 5 nov. 2012.

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